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Maldito vício
É triste falar isso mas, se não fosse o nível de nicotina, que neste momento está estabilizado em meu organismo, estaria tão inquieto que mal poderia digitar. Essa é uma das características que meu corpo apresenta quando fico durante determinados períodos sem o cigarro acender. Também fico com um mau-humor insuportável (minha esposa que o diga).
Mas como um hábito tão ruim ainda é mantido por mim?
Aos dezessete anos acendi o primeiro cigarro. Na época, havia visto um colega de colégio fumando e simplesmente achei aquilo horrível. Imagine: um garoto da minha idade fumando! A primeira impressão que tive, a respeito do garoto, é que ele estava querendo chamar a atenção das garotas e dos outros colegas que o cercavam. Achei aquela técnica bem imbecil. Resultado: uma semana depois estava eu lá com o maldito na boca, fazendo igual.
No começo o cilindro esfumacento era inofensivo, já que eu não o tragava. Mas, sem eu saber, meu organismo ía se acostumando com a fumaça e seus igredientes viciantes. Após algum tempo “fumando de brincadeira”, mais ou menos um mês ou dois, comecei a tragá-los. A partir daí fumei cigarros quase que todos os dias da minha vida. Depois disso já se passaram 17 anos e ainda os fumo com frequência igual.
Tentando responder a pergunta em negrito que está lá em cima, não foi por ignorância. Eu já sabia o que estava fazendo. Sabia de todos os malefícios dos componentes do cigarro. Também sabia que a probabilidade em adquirir doenças graves, ou não, em fumantes é maior. Porém ele me tranquiliza e me serve de companhia nas horas ruins (pura balela que meu cérebro assimilou como verdade). A verdade é que o organismo ficou tão acostumado com as doses diárias de impurezas que o incômodo causado pela falta delas chega a ser insuportável.
Isso não justifica a origem do vício mas sim a permanência nele. Creio que a origem tenha sido por auto-afirmação mesmo, já que na época era moda o cigarro e a bebida entre os mais velhos e, como todos, eu também queria ser dono do meu próprio nariz.
Infelizmente, assim como no meu caso com o cigarro, diversos jovens e adolescentes também experimentam outras drogas e acabam entrando num caminho sem volta.
Texto escrito exclusivamente e cedido gentilmente por Fernando “Pulga” Silveira — pai do Patrick — que comanda o CronicaNet a pulsos firmes, um blog muito interessante que vale a sua visita!
